sexta-feira, 17 de julho de 2015

Nosso exemplo de Bom Professor!

O bom professor é aquele que atua positivamente no processo de desenvolvimento das potencialidades humanas, independente da classe social do educando. Essa foi a conclusão que tivemos após a entrevista que serviu de roteiro para nosso trabalho sobre o que é ser um bom professor com a professora R.H., da Rede Municipal de Educação Infantil de Bauru/SP.
Inspirada por Vygotsky, Rudolf Steiner, Freinet, dentre outros teóricos, está sempre pesquisando e contribuindo dentro da escola que atua: “O bom professor é aquele que não para nunca, está sempre estudando e pesquisando, se desenvolve junto com seus educandos”. Por exemplo, eu durmo cedo, para no dia seguinte estar inteira para trabalhar junto com meus alunos. A criança copia tudo o que o adulto faz, somos exemplos a serem seguidos para eles. Isso é muito sério", fala da R.H. ontem na apresentação do vídeo feito em sua homenagem na Unesp.
Michele Távora Julio, estudante de Pedagogia e uma das colaboradoras do Enxame de Ideias, trabalhou por 2 anos como auxiliar da professora R.H. e vivenciou a possibilidade da aplicação de vários conceitos e  teorias na vida prática do professor na escola.
"Me lembro no período em que trabalhei na Prefeitura, como auxiliar da professora R.H., que via a realização de todas as teorias que estudo e me debruço na Universidade sendo vivenciadas pelos alunos através do trabalho da professora R.H. Poder observar e auxiliar a professora no desenvolvimento desses alunos dia após dia, durante 2 anos foi maravilhoso. Durante este período em que a auxiliei, meu sobrinho era aluno dela e acompanhei todo o processo mais efetivamente através da vida dele. Ele cursou o Maternal II e Jardim I com a professora R.H., hoje está com 5 anos e fazendo o Jardim II com outra professora,mas sente muito a falta da R.H. e faz coisas em casa que são frutos do trabalho dela. Um exemplo disso é que meu sobrinho tem uma inteligência para questionar o que ainda não sabe e é capaz de pensar em estratégias para conseguir o que acha certo pra ele, cria pintinhos e galinhas no sítio da minha mãe, por que quer ter essa vivência, sempre se refere à professora R.H. e quer levar suas experiências para ela. Ela plantou isso nele e hoje estamos vendo as sementes crescerem. Mas vocês pensam que só ele é assim? Todas essas crianças que foram alunas da R.H. durante estes 2 anos se destacam na escola, são crianças ativas e que já possuem um senso crítico,ainda que sejam crianças de 5 anos. Outro exemplo disso é que, num dia em que a servente da escola havia faltado e o banheiro estava sujo, as crianças da professora R.H. sem que ninguém as instigassem, se organizaram e foram até à sala da diretora pedir à mesma que providenciasse a limpeza do banheiro. Incrível, não é? Eu não acreditava mais na Educação, e comecei a sentir o renascer desse amor dentro de mim novamente, voltei a acreditar na Educação para as crianças. Através do trabalho da R.H. vi na prática o Livro da Vida de Freinet nas mãos das crianças, vi toda a brincadeira que Vygotsky tanto reivindica nos seus tratados, para o desenvolvimento da linguagem da fala e da escrita na criança, e vi as crianças sendo encaminhadas para um caminho de alimentação natural e mais saudável, o respeito e cuidado para com a natureza,da maravilhosa Pedagogia Waldorf,de Rudolf Steiner. Além de tudo isso, ela é extremamente preocupada com cada aluno seu, se algo não vai bem com algum deles, ela investiga e busca até mesmo soluções fora do horário de trabalho e parcerias com outras instituições, caso necessário. Por isto,estou aqui novamente, ocupando uma cadeira numa sala da Unesp, para ser uma professora de Educação Infantil e trabalhar com o que realmente acredito. Agradecida para sempre, professora R.H., por ter trazido luz e otimismo no meu caminhar.”

Abaixo a entrevista com a professora!

1-Nome,idade,onde e quando se formou. 

R. H.V.S.
43 anos
1990-Magistério
Serviço Social-ITE-1997
Pedagogia -COC-2009
Espaço Pedagógico-2005

2-Você tem alguma lembrança de antigos professores que teve? Descreva uma lembrança boa e uma ruim e o que essas memórias influenciaram na sua prática pedagógica.

Fiz pouco tempo de Educação Infantil em uma EMEI, tenho poucas lembranças e não muito boas. Fui estudar o Primeiro Grau na Escola SESI, que embora muito rigoroso da disciplina, na época estávamos no período de ditadura, os professores eram carinhosos e demonstravam interesses e preocupações com nós alunos. Considerava a Escola minha segunda casa, amava a Escola, tanto que sofri muito quando fui estudar no segundo grau em uma Escola Estadual. Fiz o magistério na escola Estadual e passei a me encantar com o desenvolvimento infantil. Não pensava em fazer pedagogia, desejava fazer psicologia, mas como não consegui fiz Serviço Social, que foi muito bom, para conhecer a história, as contradições e tomar gosto por querer trabalhar com a Educação e mudar o mundo.
Acabei trabalhando em uma Instituição trabalhando com a Educação de crianças e adolescentes no período contrário a Escola. Foi neste momento que conheci outras possibilidades de desenvolvimento de habilidades, paralelo a isto tive a minha filha e procurava uma escola para ela. Então fui conhecer a Escola Viver, com uma Proposta Pedagógica mais ampla, contemplando várias áreas do conhecimento.
Em Bauru não tínhamos e não temos muitas propostas pedagógicas. Comecei a trabalhar na Educação Municipal de Bauru, vi que a Escola dos sonhos poderia se concretizar, pois neste momento as professoras e diretora faziam o curso no Espaço Pedagógico, me incentivando a entrar, então fiz Espaço Pedagógico depois Pedagogia, e isto foi fundamental para que eu acreditasse que um outro tipo de escola fosse possível. 
Depois fui conhecer mais a fundo a Pedagogia Waldorf. Coloquei a minha filha nesta escola que atualmente já faz o décimo ano.
Então sempre achei que a escola deve ser uma lugar legal, de aprendizado, que faz ser feliz. Então é com esta motivação que trabalho, e me sinto comprometida com isto. Quando fazia Serviço Social, tive uma experiência em trabalho em uma Escola Particular de Educação Infantil, e lá aprendi que não consigo trabalhar em Escola Particular, pois é necessário fazer o que acredita e não o quê o "mercado" quer. 

3-Como você qualifica sua formação?

Atualmente vejo muitas habilidades não desenvolvidas, por isto precisamos de uma escola melhor.

4-Que análise faz da formação continuada e dos cursos oferecidos pela Prefeitura?Vc participa?

Já fiz muitos cursos bons, com parcerias com várias áreas, Secretarias e Instituições. Mas poucos realmente contribuíram para uma mudança de prática. O Curso do Espaço Pedagógico foi o melhor que realizei, pois foi possível repensar a prática, com tarefas de reflexão e embasamento para propor atividades para os alunos.  

5-Atua em movimentos sociais, partidos políticos,ONG's? Como isto influencia na sua prática docente?

Participo de um Projeto Social, com ações que envolvem a saúde, meio ambiente, sustentabilidade, que estão longe do pensar da Educação. A Educação enquanto escola, vejo que está muito devagar e sem um comprometimento real. Já no projeto, consigo estudar, fazer cursos com questões mais humanas e de saúde de todos.

6-Concepções de educação: que ideias pedagógicas norteiam seu trabalho?

Tenho referências da Pedagogia Waldorf por estudar um pouco e acompanhar os estudos das minhas filhas. É a escola que mais acredito, pois vejo acontecer nela o que estudamos com Vygotsky na Prefeitura, então vejo um estudo aprofundado, que vai às origens, um conhecimento amplo, muitas vivências, estudos práticos e o desenvolvimento de várias linguagens. Então é isto que acredito e vejo possível. Mas, também trabalhos dentro da proposta da Prefeitura inclusive estudaram e justificam um pouco da minha atuação com tal teoria, mas vejo que a Educação o cuidado com o Ser Humano vai além, e que a estrutura da Prefeitura não possibilidade em termos de vontade e de conhecimento e comprometimento real com a Natureza, com o meio ambiente e com a vida.  

7-Como é o planejamento de suas aulas? Como vê a execução deste planejamento, consegue alcançar seus objetivos?

O planejamento é diário, embora fazemos o levantamento de objetivos e conteúdos para o bimestre ou trimestre, e vamos passar a fazer mensal em breve. Nem todos os objetivos são possíveis pelas condições da escola, do espaço, do tempo, de dividir a sala com outros professores, com o investimento nos ideais pela própria escola e Educação, limitação de acesso, pouco tempo disponível para providências de materiais e contatos, etc.

8-Como lida e soluciona com os problemas cotidianos encontrados  para sua prática pedagógica?Poderia citar um exemplo?

Sempre tenho que contar com recurso próprio, material, contatos fora do horário de trabalho. Ideias que nem todos valorizam, trazendo desânimo ou não conseguindo dar prosseguimento. Mas procuro focar, não desistir e fazer até aonde é possível, especialmente pelo financeiro.  

9-Como trabalha com a comunidade? Há uma interação dos pais na escola ou na vida escolar do filho/aluno? Quais estratégias usa para aproximá-los mais da escola?

Convite para reunião de pais, disponibilidade de horário para conversar, livro com um pouco da história do que fazemos para levarem para casa, para conhecimento dos pais e socialização com todo o grupo.

10-Quais são as maiores dificuldades encontradas nas condições de trabalho e que acabam influenciando na prática pedagógica?

Tempo restrito com as crianças. Divisão da sala com outros colegas. Pouco tempo com o espaço disponível para preparar o ambiente para o aluno. Falta de material diversificado para o trabalho.

11-Segundo Cunha: "Ritual escolar está basicamente organizado em cima da fala do professor” (2006, p.135).

Como você relaciona linguagem com teoria/prática no seu cotidiano como professora. Como já mencionei estamos lendo toda a proposta pedagógica, todas as áreas do conhecimento. A minha coordenadora pedagógica tem me desafiado a embasar a minha prática na teoria. Então tenho feito relatórios colocando a prática e a teoria. Inclusive fiz uma reunião na última quarta-feira falando com os pais a teoria que embasa o desenvolvimento das crianças com 3 anos, que são os meus alunos, e o que faço na brincadeira. Ou melhor, qual o benefício da brincadeira e o que realizo. 

12-Quais são seus sentimentos e percepções frente à todo sistema educacional vigente? O que precisa melhorar e o que tem feito para contribuir?

A Escola precisa estar relacionada com a vida, fazer sentido, desenvolver habilidades humanas, potencialidades que todos podem desenvolver independente de condições financeiras. Caso faça isto teremos uma vida melhor. A educação não vem fazendo isto. Somos embrião ainda. Na Escola em que estou, vejo que estamos tentando colocar outros valores e desenvolver ou melhor dando "pinceladas" de possibilidades da exploração, mudança de olhar, estamos começando um processo de repensar enquanto grupo, através da coordenadora pedagógica que entrou este ano. Me empenho naquilo que consigo para contribuir, com estudos e práticas.












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