quarta-feira, 29 de julho de 2015

Aula 23.07.15

Na aula de hoje, fizemos a iniciação cantando a música "Samba Lelê" e a leitura da poesia "Biblioteca Verde" interpretada por nosso amigo Willian.
Posteriormente realizamos a leitura de dois textos, a saber:  "Didática geral" - Alda Marim Junqueira (p. 16-32) e "Preparação das aulas"  de Edson do Carmo Inforsato e Robson Alves dos Santos (p. 86-99)Disponível no livro didático: Didática dos conteúdos. E socializamos com a turma.





sexta-feira, 17 de julho de 2015

O que é Interdisciplinaridade?

Boa Noite!

Com base na leitura do texto "Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade na formação de professores" da autora Ivani Catarina Arantes Fazenda, nós do Enxame de Ideias deixamos aqui nosso ponto de vista sobre o tema: 

Luciana: "O termo interdisciplinaridade refere-se ao desenvolvimento de um trabalho que integre os conteúdos de uma determinada disciplina com outras áreas de conhecimento, de modo a proporcionar ao aluno um ensino dinâmico. Trata-se então do diálogo entre diferentes disciplinas. Com a interdisciplinaridade, o objeto de estudo pode ser abordado de forma integral, incentivando novos enfoques metodológicos para a resolução de problemas".

Michele: "Entendo que cada disciplina, nos saberes que contemplam, nos conceitos científicos se tornam interdisciplinaridade no momento em que obriga o professor a rever suas práticas e a redescobrir seus talentos, no momento em que ao movimento da disciplina seu próprio movimento for incorporado. Tem-se a necessidade de uma estrutura dialética, onde a construção do saber não seja apenas de conceitos mas também culturais".

Willian: "Trabalho que integra duas ou mais disciplinas no interior de um mesmo projeto de interesse coletivo que se relacionam para aprofundar o conhecimento sobre um determinado tema e que seja comum à todas as áreas envolvidas".

Rayane: "Interdisciplinaridade é a capacidade de  se estabelecer relações entre as diferentes disciplinas das áreas do conhecimento. Pode ocorrer de forma específica para geral e no sentido oposto também.  Ao trabalhar de forma interdisciplinar o professor torna o processo de aprendizagem muito mais claro e contextualizado para seu aluno, possibilitando uma maior compreensão do todo".

Jamile: "Interdisciplinaridade é o diálogo estabelecido entre os saberes promovendo a unidade, reciprocidade e mutualidade, considera o contexto (dimensão social) bem como a dimensão científica. Pondera a integração, sensibilização, reconhecimento, intersubjetividade dos conhecimentos, curiosidades, problemas, respostas, indo além da observação comum e visão fragmentada, sendo um exercício  do pensamento e da construção".


Cristiane: "A interdisciplinaridade não é somente a junção, o ensino de um conteúdo englobando mais de uma disciplina, é também uma maneira de aprofundar os conhecimentos tanto dos alunos quanto dos professores. Através dessa junção é possível desenvolver um interesse maior nos que estão aprendendo, percebendo assim que tudo está ligado, direta ou indiretamente, sendo possível assim ampliar o modo de aprendizagem".

Apresentação: O que é ser um bom professor? - Avaliação das equipes

Ocorreu na data de ontem as apresentações das equipes sobre o que é ser um bom professor. A pedido de nossa querida professora Vera, faremos uma breve avaliação sobre o apresentado, ressaltando que todos fizeram um bom trabalho e os resultados foram bastante satisfatórios na opinião de nossa equipe.

Comentários:

Equipe Educando: Realizaram um trabalho bastante interessante devido a pesquisa de campo realizada em uma escola do município, além disso, fizeram uma ótima entrevista com personalidades importantes para nossa universidade.

Equipe Colcha pedagógica: A equipe apresentou um trabalho muito legal, pois, foram à campo e questionaram alunos do ensino fundamental sobre o que é ser um bom professor.

Equipe Eu passarinho: Tiveram uma ideia bastante interessante ao criar uma "receita" do que é ser um bom professor e inovaram ao presentear a turma com um bolo, que simulou o fruto da receita apresentada.

Equipe Pé na estrada: Também tiveram uma iniciativa interessante ao entrevistar diferentes tipos de pessoas e não apenas aquelas ligadas a área da educação. Como ponto à melhorar deixamos a questão da falha técnica que ocorreu com o vídeo da entrevista.

Equipe Mão na massa: Assim como as demais equipes tiveram um bom desempenho, mas deixamos como ponto à melhorar a questão da dificuldade com a apresentação em vídeo, pois, assim como a equipe anterior, apresentou problemas na apresentação.

Nosso exemplo de Bom Professor!

O bom professor é aquele que atua positivamente no processo de desenvolvimento das potencialidades humanas, independente da classe social do educando. Essa foi a conclusão que tivemos após a entrevista que serviu de roteiro para nosso trabalho sobre o que é ser um bom professor com a professora R.H., da Rede Municipal de Educação Infantil de Bauru/SP.
Inspirada por Vygotsky, Rudolf Steiner, Freinet, dentre outros teóricos, está sempre pesquisando e contribuindo dentro da escola que atua: “O bom professor é aquele que não para nunca, está sempre estudando e pesquisando, se desenvolve junto com seus educandos”. Por exemplo, eu durmo cedo, para no dia seguinte estar inteira para trabalhar junto com meus alunos. A criança copia tudo o que o adulto faz, somos exemplos a serem seguidos para eles. Isso é muito sério", fala da R.H. ontem na apresentação do vídeo feito em sua homenagem na Unesp.
Michele Távora Julio, estudante de Pedagogia e uma das colaboradoras do Enxame de Ideias, trabalhou por 2 anos como auxiliar da professora R.H. e vivenciou a possibilidade da aplicação de vários conceitos e  teorias na vida prática do professor na escola.
"Me lembro no período em que trabalhei na Prefeitura, como auxiliar da professora R.H., que via a realização de todas as teorias que estudo e me debruço na Universidade sendo vivenciadas pelos alunos através do trabalho da professora R.H. Poder observar e auxiliar a professora no desenvolvimento desses alunos dia após dia, durante 2 anos foi maravilhoso. Durante este período em que a auxiliei, meu sobrinho era aluno dela e acompanhei todo o processo mais efetivamente através da vida dele. Ele cursou o Maternal II e Jardim I com a professora R.H., hoje está com 5 anos e fazendo o Jardim II com outra professora,mas sente muito a falta da R.H. e faz coisas em casa que são frutos do trabalho dela. Um exemplo disso é que meu sobrinho tem uma inteligência para questionar o que ainda não sabe e é capaz de pensar em estratégias para conseguir o que acha certo pra ele, cria pintinhos e galinhas no sítio da minha mãe, por que quer ter essa vivência, sempre se refere à professora R.H. e quer levar suas experiências para ela. Ela plantou isso nele e hoje estamos vendo as sementes crescerem. Mas vocês pensam que só ele é assim? Todas essas crianças que foram alunas da R.H. durante estes 2 anos se destacam na escola, são crianças ativas e que já possuem um senso crítico,ainda que sejam crianças de 5 anos. Outro exemplo disso é que, num dia em que a servente da escola havia faltado e o banheiro estava sujo, as crianças da professora R.H. sem que ninguém as instigassem, se organizaram e foram até à sala da diretora pedir à mesma que providenciasse a limpeza do banheiro. Incrível, não é? Eu não acreditava mais na Educação, e comecei a sentir o renascer desse amor dentro de mim novamente, voltei a acreditar na Educação para as crianças. Através do trabalho da R.H. vi na prática o Livro da Vida de Freinet nas mãos das crianças, vi toda a brincadeira que Vygotsky tanto reivindica nos seus tratados, para o desenvolvimento da linguagem da fala e da escrita na criança, e vi as crianças sendo encaminhadas para um caminho de alimentação natural e mais saudável, o respeito e cuidado para com a natureza,da maravilhosa Pedagogia Waldorf,de Rudolf Steiner. Além de tudo isso, ela é extremamente preocupada com cada aluno seu, se algo não vai bem com algum deles, ela investiga e busca até mesmo soluções fora do horário de trabalho e parcerias com outras instituições, caso necessário. Por isto,estou aqui novamente, ocupando uma cadeira numa sala da Unesp, para ser uma professora de Educação Infantil e trabalhar com o que realmente acredito. Agradecida para sempre, professora R.H., por ter trazido luz e otimismo no meu caminhar.”

Abaixo a entrevista com a professora!

1-Nome,idade,onde e quando se formou. 

R. H.V.S.
43 anos
1990-Magistério
Serviço Social-ITE-1997
Pedagogia -COC-2009
Espaço Pedagógico-2005

2-Você tem alguma lembrança de antigos professores que teve? Descreva uma lembrança boa e uma ruim e o que essas memórias influenciaram na sua prática pedagógica.

Fiz pouco tempo de Educação Infantil em uma EMEI, tenho poucas lembranças e não muito boas. Fui estudar o Primeiro Grau na Escola SESI, que embora muito rigoroso da disciplina, na época estávamos no período de ditadura, os professores eram carinhosos e demonstravam interesses e preocupações com nós alunos. Considerava a Escola minha segunda casa, amava a Escola, tanto que sofri muito quando fui estudar no segundo grau em uma Escola Estadual. Fiz o magistério na escola Estadual e passei a me encantar com o desenvolvimento infantil. Não pensava em fazer pedagogia, desejava fazer psicologia, mas como não consegui fiz Serviço Social, que foi muito bom, para conhecer a história, as contradições e tomar gosto por querer trabalhar com a Educação e mudar o mundo.
Acabei trabalhando em uma Instituição trabalhando com a Educação de crianças e adolescentes no período contrário a Escola. Foi neste momento que conheci outras possibilidades de desenvolvimento de habilidades, paralelo a isto tive a minha filha e procurava uma escola para ela. Então fui conhecer a Escola Viver, com uma Proposta Pedagógica mais ampla, contemplando várias áreas do conhecimento.
Em Bauru não tínhamos e não temos muitas propostas pedagógicas. Comecei a trabalhar na Educação Municipal de Bauru, vi que a Escola dos sonhos poderia se concretizar, pois neste momento as professoras e diretora faziam o curso no Espaço Pedagógico, me incentivando a entrar, então fiz Espaço Pedagógico depois Pedagogia, e isto foi fundamental para que eu acreditasse que um outro tipo de escola fosse possível. 
Depois fui conhecer mais a fundo a Pedagogia Waldorf. Coloquei a minha filha nesta escola que atualmente já faz o décimo ano.
Então sempre achei que a escola deve ser uma lugar legal, de aprendizado, que faz ser feliz. Então é com esta motivação que trabalho, e me sinto comprometida com isto. Quando fazia Serviço Social, tive uma experiência em trabalho em uma Escola Particular de Educação Infantil, e lá aprendi que não consigo trabalhar em Escola Particular, pois é necessário fazer o que acredita e não o quê o "mercado" quer. 

3-Como você qualifica sua formação?

Atualmente vejo muitas habilidades não desenvolvidas, por isto precisamos de uma escola melhor.

4-Que análise faz da formação continuada e dos cursos oferecidos pela Prefeitura?Vc participa?

Já fiz muitos cursos bons, com parcerias com várias áreas, Secretarias e Instituições. Mas poucos realmente contribuíram para uma mudança de prática. O Curso do Espaço Pedagógico foi o melhor que realizei, pois foi possível repensar a prática, com tarefas de reflexão e embasamento para propor atividades para os alunos.  

5-Atua em movimentos sociais, partidos políticos,ONG's? Como isto influencia na sua prática docente?

Participo de um Projeto Social, com ações que envolvem a saúde, meio ambiente, sustentabilidade, que estão longe do pensar da Educação. A Educação enquanto escola, vejo que está muito devagar e sem um comprometimento real. Já no projeto, consigo estudar, fazer cursos com questões mais humanas e de saúde de todos.

6-Concepções de educação: que ideias pedagógicas norteiam seu trabalho?

Tenho referências da Pedagogia Waldorf por estudar um pouco e acompanhar os estudos das minhas filhas. É a escola que mais acredito, pois vejo acontecer nela o que estudamos com Vygotsky na Prefeitura, então vejo um estudo aprofundado, que vai às origens, um conhecimento amplo, muitas vivências, estudos práticos e o desenvolvimento de várias linguagens. Então é isto que acredito e vejo possível. Mas, também trabalhos dentro da proposta da Prefeitura inclusive estudaram e justificam um pouco da minha atuação com tal teoria, mas vejo que a Educação o cuidado com o Ser Humano vai além, e que a estrutura da Prefeitura não possibilidade em termos de vontade e de conhecimento e comprometimento real com a Natureza, com o meio ambiente e com a vida.  

7-Como é o planejamento de suas aulas? Como vê a execução deste planejamento, consegue alcançar seus objetivos?

O planejamento é diário, embora fazemos o levantamento de objetivos e conteúdos para o bimestre ou trimestre, e vamos passar a fazer mensal em breve. Nem todos os objetivos são possíveis pelas condições da escola, do espaço, do tempo, de dividir a sala com outros professores, com o investimento nos ideais pela própria escola e Educação, limitação de acesso, pouco tempo disponível para providências de materiais e contatos, etc.

8-Como lida e soluciona com os problemas cotidianos encontrados  para sua prática pedagógica?Poderia citar um exemplo?

Sempre tenho que contar com recurso próprio, material, contatos fora do horário de trabalho. Ideias que nem todos valorizam, trazendo desânimo ou não conseguindo dar prosseguimento. Mas procuro focar, não desistir e fazer até aonde é possível, especialmente pelo financeiro.  

9-Como trabalha com a comunidade? Há uma interação dos pais na escola ou na vida escolar do filho/aluno? Quais estratégias usa para aproximá-los mais da escola?

Convite para reunião de pais, disponibilidade de horário para conversar, livro com um pouco da história do que fazemos para levarem para casa, para conhecimento dos pais e socialização com todo o grupo.

10-Quais são as maiores dificuldades encontradas nas condições de trabalho e que acabam influenciando na prática pedagógica?

Tempo restrito com as crianças. Divisão da sala com outros colegas. Pouco tempo com o espaço disponível para preparar o ambiente para o aluno. Falta de material diversificado para o trabalho.

11-Segundo Cunha: "Ritual escolar está basicamente organizado em cima da fala do professor” (2006, p.135).

Como você relaciona linguagem com teoria/prática no seu cotidiano como professora. Como já mencionei estamos lendo toda a proposta pedagógica, todas as áreas do conhecimento. A minha coordenadora pedagógica tem me desafiado a embasar a minha prática na teoria. Então tenho feito relatórios colocando a prática e a teoria. Inclusive fiz uma reunião na última quarta-feira falando com os pais a teoria que embasa o desenvolvimento das crianças com 3 anos, que são os meus alunos, e o que faço na brincadeira. Ou melhor, qual o benefício da brincadeira e o que realizo. 

12-Quais são seus sentimentos e percepções frente à todo sistema educacional vigente? O que precisa melhorar e o que tem feito para contribuir?

A Escola precisa estar relacionada com a vida, fazer sentido, desenvolver habilidades humanas, potencialidades que todos podem desenvolver independente de condições financeiras. Caso faça isto teremos uma vida melhor. A educação não vem fazendo isto. Somos embrião ainda. Na Escola em que estou, vejo que estamos tentando colocar outros valores e desenvolver ou melhor dando "pinceladas" de possibilidades da exploração, mudança de olhar, estamos começando um processo de repensar enquanto grupo, através da coordenadora pedagógica que entrou este ano. Me empenho naquilo que consigo para contribuir, com estudos e práticas.












quinta-feira, 16 de julho de 2015

O bom professor...

Como parte do nosso cronograma de estudos, realizamos a leitura da obra: “O bom professor e sua prática” da autora Maria Isabel da Cunha e compartilhamos com vocês um levantamento dos pontos fundamentais do livro:

     Para Cunha, os aspectos da formação de professores precisam ser mais definidos e aprofundados, haja vista que a educação de professores deve pensar e estudar ‘o que’ e ‘por que’ acontece na sala de aula. “A sala de aula é o lugar privilegiado onde se realiza o ato pedagógico escolar” (CUNHA, p. 22), é ali que acontecem os conflitos e contradições do contexto social, se expõem as concepções valorativas, ciência, aspectos psicológicos tanto dos alunos quanto dos professores. Portanto, a formação do professor considera e deve abranger o saber específico, o saber pedagógico e o saber político-social.
     Existe uma visão simplista, segundo a qual a função do professor é ensinar, reduzindo isso a algo mecânico e descontextualizado, todavia o professor não ensina o vazio, existe sempre uma situação real e definida. As condições histórico-sociais envolvem a sociedade e nisso a escola se insere (contextualizada), sua relação com o professor é determinante e determinada, uma vez que o professor sofre influências do ambiente escolar, bem como influencia este ambiente com seu modo de ser e agir. Não há neutralidade pedagógica, o ensino é algo socialmente localizado, o professor varia em função dos interesses e valores sociais. Vale frisar que “sem professor não se faz escola” (CUNHA, p. 25). Houve uma época em que o professor era sacerdote: sua tarefa era tida como uma missão, hoje vivenciamos muitos professores sendo “proletários das profissões liberais” (conforme Mills), neste caso o conhecimento é comprado e vendido. Há uma impregnação do positivismo que ignora o condicionamento histórico-social do conhecimento, o professor trata e transfere o conhecimento da maneira como aprendeu e vivenciou. A educação que temos tido procura internalizar o saber mais que conscientizar o homem, sujeito do conhecimento, sendo assim, passiva e sem reflexão crítica, em vez de crítica, projetiva, ativa, articulada, conscientizadora. Ser sujeito do conhecimento é estar ativamente envolvido na interpretação e produção de dados, e não em atitude contemplativa/absorvente.
    “O primeiro pesquisador, na sala de aula, é o professor que investiga seus próprios alunos” (SHOR, p.21, apud CUNHA, 2012, p. 29);
     “O objeto de estudo é o conhecimento que dirige a conduta diária”, pois a vida cotidiana é dotada de valores, conhecimentos do sujeito dentro de uma circunstância, tanto professores quanto alunos, incluem a participação coletiva, interação e comunicação, tem estrutura temporal e espacial. O tempo se encontra na realidade diária de modo contínuo e finito. O professor nasceu num local, circunstância e época que inferem no seu agir e ser, a linguagem é sua principal ferramenta, sendo as palavras, entonações, pausas, expressões importantes. A linguagem estabelece a reciprocidade.
   Nós, seres humanos somos valorativos, assim, bons professores são fruto de julgamentos individuais do avaliador, cada instituição e pessoa tem o “padrão ideal”. Existem, também, expectativas entre professores e alunos sobre seus desempenhos; competência é tida como ideação de um papel socialmente localizado, é fruto das expectativas e práticas aceitas como melhores.



Sobre o bom professor:
  • A escolha do bom professor é dotada da sua prática e compromisso social, relação com alunos, competência em relação ao conteúdo, habilidade para organizar as aulas, afetividade, sua forma de ser e agir;
  • Habilidades dos bons professores: questionar os conteúdos como verdades acabadas, responder às dúvidas dos alunos, prazer em aprender, formas dialógicas de interação;
  • Bons professores raramente demonstram posicionamento político segundo a pesquisa, os alunos sequer mencionam tal quesito. É o reflexo da não absorção do compromisso político de cada indivíduo com a sociedade;
  • Formas de ser dos bons professores: senso de humor, o gosto pelo ensinar,
  • Idade cronológica não é requisito do bom professor;
  • Em dados: “A maior parte dos bons professores pertence ao sexo masculino (aproximadamente 80%), distribuindo-se entre 26 e 50 anos. A incidência maior (mais ou menos 50%) localiza-se entre 35 e 45 anos” p. 69. Vale ressaltar que a pesquisa foi realizada com 21 professores do 2º e 3º graus em Pelotas/RS. Destes 21 professores, 12 possuem pós-graduação (08 em nível de especialização, 02 com mestrado, 01 pós-doutorado), os outros possuem apenas a graduação;
  • Bons professores ainda apresentam pouca participação em congressos, conferências, seminários, alegando como motivo a questão financeira;
  • História de vida dos bons professores: influências da família na formação, condições econômicas familiares, valores, opção pelo magistério para alcançar o mestrado, gostam do que fazem, reconhecem as dificuldades (preguiça, cansaço, baixa remuneração), se motivam na relação com os alunos;
  • Influências principais dos bons professores: suas experiências enquanto alunos, seus professores (há certa reprodução no comportamento docente), experiências profissionais (trajetória, formação), prática social (exercício da cidadania), outros colegas professores, convivências cotidianas com pesquisadores, familiares, juristas;
  • Visão social dos bons professores: a escola possui valor social, desvalorização da educação, descaso governamental, escola está parada no tempo (descontextualizada, simplista), descomprometimento, os alunos não sabem pensar (não são preparados para), separação entre teoria e prática, escola oferece pouco para alunos trabalhadores, reprodução social;
  • “[...] Nem sempre o professor é consciente de sua não neutralidade. Às vezes até rejeita a ideia de que exerce m ato político no fazer pedagógico. Não há dúvida de que, na verbalização que fazem da sua história e da sua prática, estes aspetos aparecem. O processo de amadurecimento certamente irá lhe mostrar isto um dia” p. 91;
  • A prática pedagógica dos bons professores: nenhum verbalizou não-diretividade, se percebem como articuladores da aprendizagem, não são paternalistas, nem adeptos do “laissez-faire”, sentem dificuldades em fazer os alunos agirem, valorizam suas áreas do conhecimento, se esforçam para unir teoria e prática no mesmo fenômeno, atentos para que o discurso não seja repetitivo e incoerente com a ação, utilizam a problematização dos conteúdos, estimulam a intelectualidade dos alunos, resistem a escrever planos de aula (reduzem-no a anotações), valorizam a revisão de seu fazer na sala de aula, procuram partir do concreto para o abstrato, da prática para a teoria, têm claro e coletivo os objetivos de ensino, utilizam autoavaliação, provas com consulta e estudos de caso;
  • “[...] quando o professor compreende a importância social do seu trabalho, começa a dar uma dimensão transformadora à sua ação e acaba por perceber o político a sustentar o pedagógico” p. 111;
  • Formação do professor: gosta de ensinar, domina o conteúdo, estudioso, honestidade no trato com o conhecimento dos alunos;
  • Procedimentos dos bons professores: aulas expositivas, aulas em laboratórios ou práticas eram antecedidas por instruções, repetem comportamentos que julgam positivos, buscam criar um ambiente agradável, localizam historicamente o conteúdo, estabelecem relações com outras áreas do saber, incentivam a participação, estabelecem diálogos, perguntas exploratórias, aproveitam as respostas e conhecimentos dos alunos, variação de estímulos e recursos, segurança, reconhecem quando não sabem, opinam em certas situações.

“O senhor... Mire e veja que o mais importante e bonito do mundo é isto, que as pessoas não estão sempre iguais, não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam – verdade maior. E o que a vida me ensinou. Isto me alegra, montão.”
Guimarães Rosa.


CUNHA, M. I. da; O bom professor e sua prática. 24 ed. Campinas/SP: Papirus, 2012.

sábado, 11 de julho de 2015

Plano de Aula

Boa Tarde!


No dia 02/07, a professora Vera solicitou que elaborássemos um plano de aula. Nosso grupo optou por desenvolver uma atividade com alunos de Educação para Jovens e Adultos (EJA), a qual tem por objetivo fundamental promover a valorização da diversidade cultural entre os alunos. A seguir, apresentamos o plano de aula idealizado pelo grupo:

TÍTULO: Objetos que Contam História

PÚBLICO-ALVO: Educação de Jovens e adultos (EJA);

EIXOS TEMÁTICOS: Natureza e Sociedade; Cultura; inter-relacionados com Matemática e Língua Portuguesa.

DURAÇÃO: uma semana, sendo distribuída assim: duas aulas para a exposição oral, uma para a produção textual, e duas aulas para a pesquisa e estudo dos objetos não conhecidos (as duas aulas referentes a pesquisa podem ser aumentadas de acordo com a quantidade de objetos não conhecidos).

OBJETIVOS:
1.      Desenvolver a valorização e diversidade cultural nos alunos;
2.      Promover o respeito pela diversidade cultural;
3.      Conhecer tradições e culturas diferentes;
4.      Desenvolver o diálogo e capacidade de narrar histórias tanto oralmente como na produção escrita;
5.      Desenvolver a capacidade de analisar um objeto (descrevê-lo com coerência e coesão, medi-lo, caracterizá-lo).

ATIVIDADES:
Solicitar previamente aos alunos que tragam para a aula um objeto de família que conte uma história. Posteriormente, com os objetos em mãos, fazer uma roda de conversa com alunos, organizando-a de maneira que todos possam expor o objeto trazido e contar sua história
Após todos realizarem a apresentação, o professor solicita aos alunos que façam um fichamento do objeto contendo informações básicas (nome; ano/data; tipo de material – madeira, plástica, cerâmica; medida; cor; origem; dimensão; função social e cultural; população a que pertencia – se for o caso, etc.). A partir disso, elaborar uma exposição com os objetos e fichamentos para o conhecimento e visitação de toda comunidade escolar durante uma semana ou um mês.

AVALIAÇÃO:
O professor conseguirá perceber o alcance dos objetivos a partir do desenvolver de todas as atividades, observando a forma como os alunos dialogam e narram suas histórias, as interações e respeito mútuo, bem como a partir da produção escrita, percebendo se há dificuldades na descrição ou ortografia, auxiliando os alunos nesses momentos.

Sugerimos a conversa final onde os alunos e professor expressem o que destacam da atividade realizada, no que lhes foi interessante, e as atividades que podem desenvolver a partir disso, inclusive partindo daquilo que os alunos não conheciam - o que lhes foi realmente algo novo.