Em seu capítulo 4: “A prática educativa II:
critério e âmbitos de intervenção”, o livro “Aprender e ensinar na educação infantil" de Eulàlia Basseadas, Teresa Huguet e Isabel
Solé aborda aspectos sobre as intervenções no ambiente infantil educativo,
assim traça pontos importantes a serem considerados e observados pelos agentes
educativos dentre os quais a valorização da adaptação do planejamento às
eventualidades do cotidiano, constituindo-se propostas alternativas, não
rígidas que são terrenos adubados/férteis para a educação; inclusão da gestão e
controle da aula para uma boa interação, na qual o professor é sujeito
privilegiado e de referência; a promoção da autonomia e convivência com a
proposição de regras a partir das necessidades e contextos (adequação e
consenso); propiciação da escola como local onde as crianças manifestam
alegrias, inseguranças, tristezas, etc. sendo importante gerar o bem-estar, segurança,
respeito, afeto, motivação, reconhecimento dos limites e possibilidades para
que elas ganhem confiança, construam o autoconceito (conceito sobre capacidades)
e autoestima (valor) positiva, integrando e favorecendo crianças com necessidades
especiais, e dificuldades relacionadas às experiências de vida, em um trabalho conjunto
com outros profissionais e familiares.
O ensino
é visto como atividade conjunta, compartilhada, que assegura à criança ir
conhecendo e construindo progressivamente o mundo que a envolve, para tanto
considera o construtivismo dialético: atividade autoestruturante, desenvolver
ações mais adequadas para alcançar o objetivo; relação triangular (criança,
objeto, intervenção das pessoas de sua cultura); a intervenção contingente
(adequada) que gera maiores possibilidades na criança - ZDP; o conceito de andaimes
(Bruner) que são fornecidos pelos professores como apoios para o aluno avançar;
aprendizagens globalizadas: estabelecer relações entre o que é apresentado e o
que já se sabe – aprendizagem mais ou menos significativa - perceber a
realidade, mas esclarece: não é preciso globalizar tudo, não estabelecer
relações artificiais.
Estabelecendo
um paralelo com o livro “Criança que
brinca mais aprende mais” de Denise
Pozas, observamos a valorização dos jogos como formadores de ZDPs,
simbolismo e tendências evolutivas, pois permitem aproximação com o mundo do
adulto, afastamento da realidade imediata, a diversão, alguns não respondem a
uma finalidade externa, tem caráter imediatista, espaço para livre iniciativa,
liberdade, “faz-de-conta”, jogos de construção, simulação e ficção, jogos
regrados, jogos esportivos, jogo motriz, atividades apresentadas em forma de
jogos – falar ligeiro, nomear objetos que aparecem em uma imagem, seguir um
caminho, localizar objetos por descrição – atividades dirigidas; jogo pelo jogo
– deleite, situações planejadas de jogo – intenção na aprendizagem, cantinhos
de jogos, tipo didático (quebra-cabeça, encaixe, dominó), jogo simbólico,
construção, experimentação, regras, heurístico (estimular o jogo e o valor
deles).
Pozas destaca
a diferença entre brincadeiras livres, como aquelas em que há liberdade de
ação, regras, relevância no brincar, não linearidade e contextualização, e
brincadeiras dirigidas as que não são de livre escolha, partem do adulto e
possuem planejamento preestabelecido. Para a autora, brincadeiras livres
apresentam resultados superiores por seu interacionismo, construção progressiva
e original do conhecimento. O grau de socialização dependerá da qualidade das
trocas intelectuais existentes na relação, inferindo que com a coação não há diálogos, pois
os indivíduos se limitam a aceitar as verdades impostas.
Além
dessas reflexões, Basseadas et al., tratam a respeito da necessidade de rotina,
e das situações (alimentação, limpeza, descanso, ordem dos pertences, entrada e
saída) que precisam ser atendidas e ensinadas na educação infantil para a
formação integral do ser humano. A respeito dos materiais, devem ser de uso
coletivo, individual, de escritório consumível e fixos, sucatas; resguardadas a
segurança, variedade, bom estado, distribuição e organização.
Por fim
as autoras descrevem algumas sugestões para as faixas etárias da educação
infantil:
- 0-1: favorecimento das capacidades de deslocamento (almofadões, roupas), percepção (livros de desenho, chocalho), motricidade (bola, pelúcia), representação;
- 1-2: motricidade (brinquedos de arrastar, triciclos, encaixe, montar), motricidade fina (plásticos adesivos, lápis, papel, balde, pá), representação;
- 3-5: simbólico (linguagem, faz de conta, cozinha, garagens, marionetes, fantasia), representação do espaço (quebra-cabeça, construção, dominó, encaixe), motricidade fina (lápis, papel, tesoura, pincel, massinha, carimbo, tecido), mundo escrito e linguagem (contos com legenda, historinhas, vídeos), criativa (recorte de revistas, cartolinas, caixas), motoras (tobogãs, triciclos, cordas), sensibilidade musical e ritmo.
Apesar
destas considerações relevantes, sugerimos que as obras sejam lidas em sua
inteireza para maiores aprofundamentos e aprendizagens!
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