terça-feira, 3 de novembro de 2015

"Aprender e ensinar na educação infantil" + "Criança que brinca mais aprende mais"

Em seu capítulo 4: “A prática educativa II: critério e âmbitos de intervenção”, o livro “Aprender e ensinar na educação infantil" de Eulàlia Basseadas, Teresa Huguet e Isabel Solé aborda aspectos sobre as intervenções no ambiente infantil educativo, assim traça pontos importantes a serem considerados e observados pelos agentes educativos dentre os quais a valorização da adaptação do planejamento às eventualidades do cotidiano, constituindo-se propostas alternativas, não rígidas que são terrenos adubados/férteis para a educação; inclusão da gestão e controle da aula para uma boa interação, na qual o professor é sujeito privilegiado e de referência; a promoção da autonomia e convivência com a proposição de regras a partir das necessidades e contextos (adequação e consenso); propiciação da escola como local onde as crianças manifestam alegrias, inseguranças, tristezas, etc. sendo importante gerar o bem-estar, segurança, respeito, afeto, motivação, reconhecimento dos limites e possibilidades para que elas ganhem confiança, construam o autoconceito (conceito sobre capacidades) e autoestima (valor) positiva, integrando e favorecendo crianças com necessidades especiais, e dificuldades relacionadas às experiências de vida, em um trabalho conjunto com outros profissionais e familiares.
O ensino é visto como atividade conjunta, compartilhada, que assegura à criança ir conhecendo e construindo progressivamente o mundo que a envolve, para tanto considera o construtivismo dialético: atividade autoestruturante, desenvolver ações mais adequadas para alcançar o objetivo; relação triangular (criança, objeto, intervenção das pessoas de sua cultura); a intervenção contingente (adequada) que gera maiores possibilidades na criança - ZDP; o conceito de andaimes (Bruner) que são fornecidos pelos professores como apoios para o aluno avançar; aprendizagens globalizadas: estabelecer relações entre o que é apresentado e o que já se sabe – aprendizagem mais ou menos significativa - perceber a realidade, mas esclarece: não é preciso globalizar tudo, não estabelecer relações artificiais.
Estabelecendo um paralelo com o livro “Criança que brinca mais aprende mais” de Denise Pozas, observamos a valorização dos jogos como formadores de ZDPs, simbolismo e tendências evolutivas, pois permitem aproximação com o mundo do adulto, afastamento da realidade imediata, a diversão, alguns não respondem a uma finalidade externa, tem caráter imediatista, espaço para livre iniciativa, liberdade, “faz-de-conta”, jogos de construção, simulação e ficção, jogos regrados, jogos esportivos, jogo motriz, atividades apresentadas em forma de jogos – falar ligeiro, nomear objetos que aparecem em uma imagem, seguir um caminho, localizar objetos por descrição – atividades dirigidas; jogo pelo jogo – deleite, situações planejadas de jogo – intenção na aprendizagem, cantinhos de jogos, tipo didático (quebra-cabeça, encaixe, dominó), jogo simbólico, construção, experimentação, regras, heurístico (estimular o jogo e o valor deles).
Pozas destaca a diferença entre brincadeiras livres, como aquelas em que há liberdade de ação, regras, relevância no brincar, não linearidade e contextualização, e brincadeiras dirigidas as que não são de livre escolha, partem do adulto e possuem planejamento preestabelecido. Para a autora, brincadeiras livres apresentam resultados superiores por seu interacionismo, construção progressiva e original do conhecimento. O grau de socialização dependerá da qualidade das trocas intelectuais existentes na relação, inferindo que com a coação não há diálogos, pois os indivíduos se limitam a aceitar as verdades impostas.
Além dessas reflexões, Basseadas et al., tratam a respeito da necessidade de rotina, e das situações (alimentação, limpeza, descanso, ordem dos pertences, entrada e saída) que precisam ser atendidas e ensinadas na educação infantil para a formação integral do ser humano. A respeito dos materiais, devem ser de uso coletivo, individual, de escritório consumível e fixos, sucatas; resguardadas a segurança, variedade, bom estado, distribuição e organização.
Por fim as autoras descrevem algumas sugestões para as faixas etárias da educação infantil:

  • 0-1: favorecimento das capacidades de deslocamento (almofadões, roupas), percepção (livros de desenho, chocalho), motricidade (bola, pelúcia), representação;
  • 1-2: motricidade (brinquedos de arrastar, triciclos, encaixe, montar), motricidade fina (plásticos adesivos, lápis, papel, balde, pá), representação;
  • 3-5: simbólico (linguagem, faz de conta, cozinha, garagens, marionetes, fantasia), representação do espaço (quebra-cabeça, construção, dominó, encaixe), motricidade fina (lápis, papel, tesoura, pincel, massinha, carimbo, tecido), mundo escrito e linguagem (contos com legenda, historinhas, vídeos), criativa (recorte de revistas, cartolinas, caixas), motoras (tobogãs, triciclos, cordas), sensibilidade musical e ritmo.
Apesar destas considerações relevantes, sugerimos que as obras sejam lidas em sua inteireza para maiores aprofundamentos e aprendizagens!



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