Na aula de hoje, dia 07/05, voltamos um
pouco à nossa infância para recordarmos nossos tempos de escola.
Durante os primeiros anos na Educação, em geral,
as integrantes da equipe tiveram experiências tranquilas e motivadoras que
foram relembrados com muito carinho. Muitas lembranças boas vieram à tona, como
o contato com a natureza, com as artes e brincadeiras.
A Luciana se recordou das brincadeiras,
Michele de como gostava de subir em árvores e Cristiane do seu contato forte
com a natureza.
Porém, quando nos lembramos do Ensino
Fundamental e do Ensino Médio as recordações soam como desabafos e mostram como
podemos nos aprofundar nestas questões, enquanto ser humano e enquanto
educadoras.
Tivemos experiências parecidas quanto à um
Ensino de exclusão, despreparo dos professores em lidar com a individualidade
de cada aluno e uma política de mérito, quem executa as tarefas com sucesso é
recompensado e reconhecido.
Michele nos relata que, no Ensino Fundamental,
nas aulas de História, por ter obtido notas boas em todas as provas, foi
contemplada com um prêmio: não precisaria fazer a prova bimestral, a mais
temida de todas. Se recorda que ficou sentada em sua cadeira, enquanto toda a
classe fazia a prova, o que gerou sentimento de revolta nas outras crianças que
passaram a ignorá-la.
A Luciana se recorda de que era muito
agitada e gostava de conversar. Acabava suas atividades e sentia necessidade de
conversar, percebia que muitas vezes os professores não sabiam como lidar com
seu jeito mais ativo.
Destacamos também que há professores que
buscam novos caminhos com uma didática diferenciada, trazendo recursos de apoio.
Um exemplo disso nos trouxe a Cristiane, que teve uma alfabetização tranquila e
eficaz devido às facilidades dos recursos didáticos, dos quais os seus
professores se apropriaram na época.
Não tivemos como fugir das fileiras de carteiras,
das leituras exaustivas e das regras. Mas sempre guardaremos conosco aqueles
professores que se destacaram pelo seu empenho, por um pequeno gesto que
tiveram conosco.
No filme "Como estrelas na
terra" todas nós nos vimos ali. A prática pedagógica tradicional já defasada,
que pressiona e aprisiona os alunos a seguirem padrões, que anula o ser no seu
individual e reforça os interesses mercadológicos.
Fica claro com tudo que vivemos até aqui e
que nos é explícito no filme, que o sistema educacional tradicional vigente
está ultrapassado e não comporta mais as necessidades do século XXI. Temos como
resultado disso uma crise, onde alunos e professores são rivais, tornando o
ambiente educacional um lugar de conflitos e duelos. Professores doentes,
alunos que não se desenvolvem, frutos de uma Educação que não consegue suprir
as demandas, não educa para a vida, não educa para ser humano.
O filme nos dá uma esperança, um motivo
para lutarmos. Nos faz acreditar nas novas pedagogias, nos faz acreditar em nós
mesmas, como profissionais.
Um professor se destaca quando olha para
um aluno em dificuldade e enfrenta paradigmas, busca soluções e tem sucesso.
Move uma energia muito forte, que mexe nas estruturas da sociedade e do campo
educacional.
Como nenhuma mudança é fácil, ele encontra
algumas barreiras no caminho, mas não desiste. Pois acredita em si, acredita no
que faz.
Esse é o papel do educador.
Sabemos que é muito mais fácil o sistema
nos engolir, do que o contagiarmos. Mas o que será de nós, das crianças, se desistirmos?
Se não tentarmos?
Devemos buscar o conhecimento do que irá
trazer o respeito à individualidade e desenvolvimento de cada vida que iremos
ter como professoras. Fortalecer os vínculos, gerar confiança.
Ter consciência da enorme responsabilidade
de nosso papel como educadoras.
Crer e fazer acontecer: a Educação pode e
será libertadora.
Michele, Jamile, Cristiane, Rayane e
Luciana.


Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ muito importante refletir sobre nossas memórias pois, as interações que tivemos, as relações que estabelecemos, já deram início a nossa formação docente.
ResponderExcluir"Às vezes pergunto-me se certas recordações são realmente minhas, se não serão mais do que lembranças alheias de episódios de que eu tivesse sido actor inconsciente e dos quais só mais tarde vim a ter conhecimento por me terem sido narrados por pessoas que neles houvessem estado presente, se é que não falariam, também elas, por terem ouvido contar a outras pessoas. Não é esse o caso daquela escolinha particular, num quarto ou quinto andar da Rua Morais Soares, onde, antes de termos ido viver para a Rua dos Cavaleiros, eu comecei a aprender as primeiras letras. Sentado numa cadeirinha baixa, desenhava-as lenta e aplicadamente na pedra, que era o nome que então se dava à ardósia, palavra demasiado pretensiosa para sair da naturalidade da boca de uma criança e que talvez nem sequer conhecesse ainda. É uma recordação própria, pessoal, nítida como um quadro, a que não falta a sacola em que acomodava as minhas coisas, de serapilheira castanha, com um barbante para levar a tiracolo. Escrevia-se na ardósia com um lápis de lousa que se vendia em duas qualidades nas papelarias, uma, a mais barata, dura como uma pedra em que se escrevia, ao passo que a outra, mais cara, era branda, macia e chamávamos-lhe "de leite" por causa da sua cor, um cizento-claro, tirando a leitoso, precisamente. Só depois de ter entrado no ensino oficial, e não foi nos primeiros meses, é que os meus dedos puderam, finalmente, tocar essa pequena maravilha das técnicas de escrita mais actualizadas."
SARAMAGO, 2006, 58-59
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ResponderExcluirÉ muito importante refletir sobre nossas memórias pois, as interações que tivemos, as relações que estabelecemos, já deraM início a nossa formação docente.
ResponderExcluir"Às vezes pergunto-me se certas recordações são realmente minhas, se não serão mais do que lembranças alheias de episódios de que eu tivesse sido actor inconsciente e dos quais só mais tarde vim a ter conhecimento por me terem sido narrados por pessoas que neles houvessem estado presente, se é que não falariam, também elas, por terem ouvido contar a outras pessoas. Não é esse o caso daquela escolinha particular, num quarto ou quinto andar da Rua Morais Soares, onde, antes de termos ido viver para a Rua dos Cavaleiros, eu comecei a aprender as primeiras letras. Sentado numa cadeirinha baixa, desenhava-as lenta e aplicadamente na pedra, que era o nome que então se dava à ardósia, palavra demasiado pretensiosa para sair da naturalidade da boca de uma criança e que talvez nem sequer conhecesse ainda. É uma recordação própria, pessoal, nítida como um quadro, a que não falta a sacola em que acomodava as minhas coisas, de serapilheira castanha, com um barbante para levar a tiracolo. Escrevia-se na ardósia com um lápis de lousa que se vendia em duas qualidades nas papelarias, uma, a mais barata, dura como uma pedra em que se escrevia, ao passo que a outra, mais cara, era branda, macia e chamávamos-lhe "de leite" por causa da sua cor, um cizento-claro, tirando a leitoso, precisamente. Só depois de ter entrado no ensino oficial, e não foi nos primeiros meses, é que os meus dedos puderam, finalmente, tocar essa pequena maravilha das técnicas de escrita mais actualizadas."
SARAMAGO, 2006, 58-59